29.º DOMINGO COMUM
CÉSAR OU DEUS?
Na Palestina do séc. I, os impostos a pagar ao Império romano, força opressora, eram polémicos. Os fariseus (nacionalistas anti-romanos) aliam-se aos herodianos (colaboracionistas), para armarem uma cilada a Jesus: «É lícito ou não dar o tributo a César?» Um ‘sim’ do Mestre seria sinal de colaboracionismo e perda de credibilidade diante da gente. Um ‘não’ levaria a denunciá-lo às autoridades como revolucionário perigoso.
«Mostrai-me a moeda do tributo... De quem é a imagem e a inscrição que há nela?»
A discussão dá-se no templo, onde era proibida a circulação de dinheiro com a imagem do imperador com o título de ‘divino’, uma ofensa ao monoteísmo judaico. Afinal, os fariseus não eram religiosos tão ‘puros’. Diante da moeda, diz Jesus: «Devolvei a César o que é de César. E a Deus o que é de Deus.»
Não estabelece uma separação, reservando o campo da vida pública aos políticos e o campo religioso às Igrejas. Diz: o dinheiro é imagem do mundo dos dominadores, dos imperadores, onde tudo se compra e vende. Por isso, «devolvei a César» o que lhe pertence: apenas o dinheiro. E reservai para Deus «o que é de Deus»: o ser humano e a sua dignidade. Que não se deve ‘vender’ a império algum.

