24.º DOMINGO COMUM
PERDOADOS, PERDOADORES
O perdão não é um botão que se clica facilmente e põe tudo em paz. É uma escolha, às vezes dolorosa. Mas há um limite para o perdão? «Até sete vezes?», pergunta Pedro. Ecoam aí estórias primordiais: Deus promete castigar «sete vezes» quem faça mal a Caim (Gn 4,15). Ou seja, o perdão a Caim é irrevogável.
«Até setenta vezes sete», desafia o Mestre. De novo, ecos antigos: «Caim foi vingado sete vezes; Lamec sê-lo-á setenta vezes sete» (Gn 4,24). É a vingança levada ao extremo! Jesus redime essas palavras da sua carga de ódio, dando-lhes outra luz: perdoar «até setenta vezes sete». Sempre! É a misericórdia levada ao máximo, a via para romper a espiral cega da vingança.
É possível perdoar sempre? Jesus responde com uma estória: um rei perdoou a dívida colossal dum servo, mas este foi implacável com o companheiro que lhe devia uma bagatela. Faltou-lhe o que o rei tinha em abundância: compaixão!
A lógica humana exige compensação pelo mal sofrido. O perdão segue outra via: a compaixão, o modo como Deus nos trata.
Perdoo porque escolho agir ao jeito de Deus.
Perdoo para desfazer amarras de ‘débitos’ recíprocos. E, sendo livres, eu e meu ‘devedor’ edifiquemos a vida na compaixão e no amor.

